Binho era um motorzinho valente. Nasceu
da idéia de um grande projetista, que Deus o tenha,
foi para a prancheta dos engenheiros mais bem pagos e dali
direto para a linha de montagem de motores uma fábrica
séria e muito respeitada. Binho foi construído
com todo o carinho e atendendo aos mais rígidos padrões
de qualidade ISO 9000.
Da linha de motores, foi para a montadora e lá foi
instalado dentro do capú de um carrão todo
confortável.
Logo de cara, lhe deram bastante trabalho:
tinha que tomar conta de Billy, o ar condicionado, Leila
a direção hidráulica e Tutu, o câmbio
automático.
Ali dentro do capú, fez amizade com vários
outros colegas de profissão: o Dr Cintra ABS, o módulo
de injeção professor Nenê e até
mesmo o mal-humorado Dr Catalizador, com quem ele mal se
falava. Tico, Teco, Tití e Totó, as velas
adoravam Binho e faiscavam de alegria quando ele acelerava.
Janjão, o cabo de velas, apesar de sua idade avançada,
trabalhava sem parar.
O pessoal mais difícil da turma
era a gang dos bicos injetores, mas não era por menos,
a gasolina que o dono do carro colocava no tanque vinha
misturada com muito álcool o que deixava a gang do
bicos sempre embriagada, com azia e péssimo humor;
eles viviam arrumando encrencas na vizinhança o que
deixava Binho com uma tosse crônica e muita dificuldade
de acordar de manhã cedo.
Isto também causava alguns problemas ao entrosamento
da turma, já que o mal humor da gang dos bicos deixava
o Dr Catalizador com um péssimo hálito e ainda
o nervoso dava conjuntivite no Dr Nenê (o módulo
de injeção) que ficava lacrimejando o dia
inteiro.
A gang dos bicos não era muito
bem vista pois todos sabiam que a gasolina que eles bebiam
era caríssima e o dono do carro pouco investia no
conforto da turma, mas o dia a dia ia passando e apesar
da dificuldade que Binho tinha em acordar pela manhã,
tudo transcorria ao natural.
a estória continua...
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