É
possível converter veículos com motores
sobre-alimentados ?
Cada vez mais
esta dúvida vem criando confusão na
cabeça dos proprietários de veículos
equipados com turbo compressores, blowers e todas
as variações existentes para admissões
pressurizadas.
Para esclarecermos
essas dúvidas vejamos resumidamente o que é
um Turbo-Compressor. Criado com a finalidade de aumentar
a potência de um motor a combustão sem
aumentar a capacidade volumétrica (cilindrada),
esses leves e pequenos dispositivos atuam em um dos
pontos mais deficientes dos motores a combustão,
a alta geração de calor.
Eles aproveitam
altos nível energéticos contidos no
calor dos gases de escapamento através de uma
ventoinha posicionada bem na saída do coletor
de escapamento. ao sair de um ambiente confinado em
alta temperatura e pressão (alta energia) e
entrarem na "caixa quente" da turbina os
gases perdem pressão e temperatura transformando
a energia térmica em energia cinética,
submetendo a ventoinha do compressor a rotações
fantásticas de até mais de 150.000 vezes
por minuto.
Oras.... transformar
energia térmica em energia cinética
já não era novidade nem para os antigos
motores a vapor, então qual é a grande
sacada? Acontece que temos outra grande deficiência
nos tradicionais motores a combustão, a deficiência
na admissão. Só para se ter uma idéia
um motor 2.0 à 6000 rotações
aspiraria teoricamente 100 litros por segundo se a
restrição causada pela admissão
não fosse problema.
O turbo supre
essas duas deficiências, pois usa a energia
que seria desperdiçada em forma de calor rodando
uma ventoinha, a qual esta ligada a um eixo que na
outra extremidade esta ligada a outra ventoinha, esta
com as "pás" invertidas que funciona
como um "compressor" comprimindo ar na admissão
e garantindo muito mais comburente (oxigênio)
no mesmo espaço principalmente em altas rotações.
Agora está
fácil. se temos mais "ar" na admissão
é só adicionarmos mais combustível
na mistura, portanto não importa se estamos
falando de gasolina, metanol, álcool ou GNV,
com todos eles teremos um considerável ganho
de potência que pode passar dos 50%. Mas devemos
estar atentos à este aumento de pressão,
pois não podemos esquecer o "vilão
dos motores" que é a detonação,
isso quer dizer que não podemos comprimir massa
explosiva para dentro do motor ao ponto dela se auto-detonar.
Isto é indesejável e pode estragar o
motor.
Para os "Insaciáveis"
em potência tenho uma boa notícia, devido
à maior resistência à detonação
aleatória (octanagem) do GNV em relação
à gasolina e ao álcool, podemos comprimir
mais nossa turbina quando em GNV sem que aconteça
este temido efeito, quero dizer que um carro que está
limitado a uma pressão de turbo de 0,7 BAR
na gasolina pode ser recalibrado para uma pressão
bem maior quando usado em GNV.
Os tradicionais
equipamentos para Gás Natural podem ser modificados
para serem usados em veículos Turbo e outros
sistemas de pressurização, mas aconselhamos
fortemente o uso de sistema de injeção
seqüencial, ou ao menos sistemas dotados
de um bom gerenciamento
que irão garantir uma melhor estequiometria,
são mais seguros e não requerem Tanta
modificação para serem usados sob altas
pressões de admissão.
Cesar
Sanches - corpo técnico Gás Point.
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