Honestamente falando dos espinhos da roseira.
É
duro ter de falar de espinhos ou mau cheiro,
afinal quem vende, normalmente passa um mundo de rosas
e margaridas daquilo que é vendido. Entretanto,
assim como as rosas têm espinhos e as margaridas
não são exatamente as mais aromáticas
das flores, um carro movido a Gás também
tem algumas limitações que precisam
ser levadas em conta de forma honesta e clara. Vamos
a elas: |
 |
Limitação 1 - Perda
de potência
Antes de conhecer melhor o assunto, quando
eu escutava a palavra GNV, me lembrava do velho Lada Niva
de um amigo meu, "subindo as ladeiras da bandeirantes"
em terceira a 60km/h e isto imediatamente me causava arrepios,
brotoejas e urticárias; estas últimas não
pelo kit gás, mas pelas músicas que ele escolhia
para colocar no rádio...
Atualmente as coisas não são
mais tão terríveis assim, o carro não
perde tanta potência assim. Um carro com equipamento
de 5ª geração não perde potência
nenhuma, mas num equipamento de terceira geração
ainda existe uma perda de cerca de 15% dependendo do tamanho
do motor; inclusive no combustível líquido
também há perda de potência, afinal
há o misturador.. Carros mais potentes perdem mais
que carros mais pequenos.
Um
Uno Mile, por exemplo, tem uma perda muito pequena,
quase imperceptível, já uma Dakota V8
ou uma Blazer V6 fica visivelmente mais fraca. Tudo
bem que o tamanho do motor compensa, mas não
se pode negar uma diferença perceptível.
Leia um artigo mais específico e bem interessante sobre este assunto aqui.
A perda de potência irá
desencadear nossa próxima limitação,
o câmbio automático. |
O
misturador tem a tarefa de criar o efeito venturi
que irá produzir a depressão que sugará
o gás para dentro do motor. Sua simples existência
restringe a passagem do ar pelo coletor reduzindo
a potência inclusive no combustível líquido. |
Limitação 2 - Câmbio
automático
Algumas transmissões não se dão bem com certos componentes do kit gás como determinados tipos de variador de avanço. Quem entende do assunto sabe quais são elas e quando podem ou não podem ser utilizadas, daí a importância de fazer a conversão em uma oficina que realmente tenha habilidade técnica e conhecimento para lidar com o assunto.
A perda de potência provocada pelo uso de alguns equipamentos de GNV também pode provocar alterações no comportamento da transmissão, pois esta funciona baseada em uma potência esperada. Estas alterações podem ser percebidas como alguma demora na troca de marchas. O uso de equipamentos de GNV mais otimizados, significa uma perda de potência bem menor e consequentemente mais segurança para sua transmissão e mais conforto para você.
Limitação 3 - Coletor
plástico
| Não é exatamente
uma limitação, mas se o coletor é
plástico e há falhas de ignição
provocadas por cabos, velas ou bobina velhos ou defeituosos,
um retorno de chama (back fire) poderá provocar a ruptura do coletor.
Mantenha a parte de ignição sempre em
perfeito estado, trocando componentes como cabos principalmente,
se possível a cada 20 a 30 mil km. Há
um artigo mais específico sobre este assunto,
aqui. |
 |
Limitação 4 - Falhas
no combustível líquido.
Quando um carro a gás falha ou tem dificuldade de
ligar no combustível líquido, especialmente de manhã, pode estar acontecendo
um problema chamado pelos mecânicos de "falha
de adaptabilidade do módulo de injeção", ou mais simplesmente, "falha de adaptativo" .
Usar um combustível diferente daquele que o carro
foi projetado não é tão simples assim,
é preciso "enganar" o motor para que não
comece a acender lâmpadas no painel e continue funcionando
direitinho em todos os combustíveis. Esta tarefa,
que é feita pelos simuladores, ou emuladores. Na maioria das vezes, isto é bastante simples, porém eventualmente isto pode ser um pouco mais complicado.
Existem dois tipos de falhas que fazem acender a luz no painel (na verdade existem vários tipos, porém são apenas estes dois que estão relacionados ao uso do GNV).
Esta falha é causada pela ausência, isso mesmo, ausência do simulador de bicos. Por incrível que pareça, algumas convertedoras, na tentativa de reduzir custos, suprimem o simulador de bicos, substituindo-o por um relê. Claro, o relê desliga os bicos, mas ninguém informa isto ao módulo, que assustado, acende luzes desesperado. A solução é instalar o simulador de bicos, que além de desligá-los, irá dizer ao módulo que os bicos ainda estão ligados. O módulo, por sua vez acreditará nesta pequena mentira que vale a pena.
- Falha de simulação de sonda
Quando o carro queima gasolina, produz gases que vão embora pelo cano do escapamento. Dentro do cano, há um sensor chamado Sonda Lambda. Este sensor consegue medir a concentração de oxigênio presente nos gases. Com a variação do percentual de O², o módulo calcula se a mistura está rica ou pobre. Mas que mistura é esta? É a proporção entre ar e combustível, quanto mais ar, mais pobre e quanto mais combustível, mais rica.
Mistura pobre é um problema sério, pois o efeito é equivalente ao efeito maçarico, ou seja, calor excessivo que pode prejudicar seriamente o motor do carro.
Bem, mais uma vez, o módulo espera receber um determinado sinal, que desta vez é produzido pela sonda. Quando queimamos gás, o sinal se altera, afinal o combustível é outro. Então é necessário fornecer ao módulo um sinal coerente. Isto é um trabalho para o Simulador de Sonda.
Os kits modernos gerenciados possuem simulador interno, como o Just G3, por exemplo. Então o módulo não irá reclamar.
Kits não gerenciados não possuem simulador de sonda, e aí é que começa o problema, pois o módulo não só acende luzes, como também começa a tentar corrigir o que ele considera como um erro de mistura, tornando as partidas e mesmo o rodar no combustível líquido, uma experiência desagradável.
Normalmente estas falhas nem sequer se manifestam, especialmente debaixo de nosso teto. Alguns carros são um pouco mais enjoados e podem necessitar de um reajuste no sinal do simulador de sonda, e algumas vezes o problema pode
se manifestar somente depois de semanas ou até meses
rodando, o que tecnicamente, torna impossível a certeza do ajuste
dentro da oficina.
Você então pode se tornar
um agente de ajuda para se conseguir a regulagem ideal dos
simuladores e sua ajuda (e paciência) será
muito bem vinda. Você irá perguntar o motivo
de tanta complicação e a resposta é
simples: o que acontece dentro do módulo de injeção,
é um segredo de fábrica, completamente inacessível
para pobres mortais como nós.
Resta às oficinas
tentar combinações de afinação
até chegar no ideal. Na maioria das vezes isto é
muito fácil, porém pode acontecer de não
ser tão simples assim e então o usuário
do veículo a GNV terá de optar entre desenvolver
paciência até que o problema se resolva ou
até mesmo retirar o kit e voltar para a velha gasolina
e suas limitações$$$.
Em tempo, se seu carro é flex, não esqueça de que ele só funcionará direitinho se tiver o
simulador de sonda inteligente.
Limitação 5 - carro que morre em
movimento
Existe a possibilidade do carro morrer quando está
em alta ou média velocidade se o motorista colocar
ponto morto ou simplesmente pisar no pedal da embreagem.
O que causa isto? O ar que entra forçado pela grade
do cofre do motor pode provocar uma diferença repentina
de pressão atmosférica no cofre do motor o
que faz com que a membrana do redutor relaxe a mola fechando
momentaneamente o fornecimento de combustível.
O que fazer? Num carro a gás, evite andar na banguela,
em alguns casos talvez seja necessário certas modificações
que somente uma
oficina
competente tem capacidade de fazer.
Limitação 6 - peças que aparentemente
estão boas mas "precisam ser substituídas"
Esta situação é típica, você
veio até a oficina guiando seu carro a gasolina em
perfeito estado e chegando lá o mecânico lhe
dá uma lista de peças para serem substituídas.
Pior, você gasta uma nota, troca tudo e o carro continua
idêntico.
Explicação
Um carro a gás é uma ADAPTAÇÃO,
ele não foi desenhado para trabalhar no gás
e a oficina faz uma transformação que precisa
ser muito bem feita para adaptar um novo sistema de
combustível, é compreensível que existe
a possibilidade de alguns componentes se mostrarem mais
sensíveis ao novo sistema.
A parte de ignição é a primeira, o
sistema GNV, devido a baixa condutibilidade elétrica,
trabalha com cerca de 10 mil volts a mais de tensão
no sistema de ignição. Problemas invisíveis
na gasolina podem se manifestar de forma devastadora no
GNV se os itens da ignição não estiverem
em perfeito estado.
Atuadores de marcha lenta, corpo de borboletas, filtro
de ar e alguns outros componentes são cruciais para
o sistema funcionar sem problemas e exigirão atenção
especial.
Limitação 7 - é difícil
calcular o consumo
É a pura verdade, cada vez que você abastace
entra uma quantidade diferente de combustível
e o consumo é bastante variável. Não
se esqueça de que se trata de um gás comprimido
cuja densidade irá variar muito de acordo com a temperatura,
sem contar com a pressão do posto, a quantidade de
carros abastecendo, veja a tabela abaixo para um
cilindro
de 25m³ (100 litros):
|
temperatura |
capacidade |
|
0ºC |
28m³ |
|
3ºC |
27,5m³ |
|
6ºC |
26,8m³ |
|
13ºC |
25m³ |
|
21ºC |
23,7m³ |
|
30ºC |
21,8m³ |
|
36ºC |
20,6m³ |
|
42ºC |
19,4m³ |
A capacidade do cilindro será bastante variável
em função da temperatura. Lembre-se que por
mais frio que esteja, quando você abastece, o combustível
comprimido se aquece reduzindo a capacidade. Uma boa dica
é abastecer, esperar esfriar (da noite pro dia) e
abastecer novamente no dia seguinte... sempre cabe mais
um pouquinho.
Bem, diante disto, esqueça os números decimais
de toda sua matemática, isto só vai deixar
você nervoso. Lembre-se que uns centavos pra lá,
uns quilômetros pra cá não fazem nenhuma
diferença grave para quem gasta 55% a menos do que
gastaria no combustível líquido.
Veja mais sobre o cilindro
clicando aqui
Limitação 8 - veículos Flex
É um capítulo à parte. Os carros flexíveis são mais complicados e precisam de uma peça específica extra chamada simulador de sonda inteligente , Além disso recomendamos que o evite a troca de combustíveis (gasolina - etanol), isso se deve a uma característica desses veículos que consiste em necessitar de muito tempo para que o carro "entenda" que um novo combustível está sendo usado. Lembrando que os kits de última geração não utilizam simulador de sonda por possuir uma lógica de funcionamento completamente diferente.
O carro FLEX
tem como principal característica, uma enorme variação do tempo de injeção, justamente para poder adaptar-se aos diferentes combustíveis. etanol precisa de um tempo de injeção muito mais longo que gasolina (é por isto que um carro a etanol gasta mais). Se fosse só esse o problema estava fácil, mas a questão começa quando o carro flex resolve desesperadamente descobrir qual é o combustível que está no tanque. Isto acontece nos momentos mais imprevisíveis e cabeludos, por exemplo: quando abastecemos, a cada 20km, a cada 400km e em vários outros momentos misteriosos que variam de modelo para modelo e pior, com nenhum acesso sobre estes parâmetros através das conexões tradicionais dos scanners de injeção.
E para que estou com esta conversa toda? Simples! Um carro a gás precisa dizer para o módulo da gasolina que ele continua rodando neste combustível. Para fazer isto, ele usa o simulador de sonda. Quando o carro é Flex, a "conversa não convence", e o módulo não acredita no simulador, começando a fazer ajustes que terminam por desregular o carro todo.
Tem solução? Claro que sim, esta é a boa notícia. Usando um
simulador inteligente para carros Flex
, a coisa fica bem mais simples, pois este tipo de simulador copia o sinal do próprio carro numa epron e depois fica repetindo o mesmo sinal que o carro gerou para o módulo. Isto melhora muito, mas não resolve 100% o problema. O ideal é evitar trocar de combustíveis. Não que nunca mais você possa trocar de etanol para gasolina e vice-versa, mas se puder evitar, melhor pra você.
Como mencionei acima, isso é ainda mais complexo quando o carro é equipado com
kit de 5ª geração
. Não há milagre. O kit é programado para um combustível e a mudança gera alterações que dificultam a partida depois de um ou dois dias de manhã.
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