Ao
conversar com clientes interessados em converter
seus veículos para o GNV esbarramos
em uma série de crenças que deixam claro o quanto o cliente é vulnerável aos dogmas que se espalham pelo mercado, a respeito
da conversão para o gás natural. É uma pena, mas é verdade que esta
fragilidade é
um instrumento de trabalho pouco ético utilizado por parte de algumas empresas
encontradas na forte competição
do mercado do GNV no Brasil. A falta de informação transforma o cliente
em um alvo fácil para este apetite predador
e difícil de ser controlado.
No lugar de entrar na briga, preferimos investir na formação do consumidor. Quanto mais bem informado o consumidor estiver,
melhor será sua capacidade de julgamento e consequentemente empurra a qualidade do mercado para cima.
Queremos que as dúvidas e "mistérios" sobre o uso do GNV se desfaçam. Quando o cliente sabe o que está comprando, ele procura o melhor, pois começa a entender porque o barato pode sair caro.
Informações como o funcionamento do
sistema, a capacidade técnica
da convertedora que inclusive deve ser homologada
pelo INMETRO, (
veja nosso registro no INMETRO
) a garantia de manutenção
e do equipamento, cada um dos itens utilizados na
conversão, a questão dos
kits
gerenciados
com
C.A.G.N.
ou kits mais simples para veículos antigos
ou carburados,
variador
de avanço
e etc são essenciais
para a sua segurança.
A unidade de gerenciamento eletrônico T3000 da Tury
Quando o carro chega na oficina, ele deve passar
por uma avaliação técnica completa
que verifica e comprova a viabilidade da instalação
do kit gás e o seu funcionamento com gás
natural. Nesta avaliação (que não
deve ser cobrada), o mecânico-técnico
verifica e se necessário, substitui mediante
autorização por escrito do cliente,
os seguintes itens:
Sistema de ignição – cabos,
velas e bobina.
O
sistema de ignição precisa
estar em perfeitas condições
para funcionar com GNV.
Sonda
lambda
A
sonda fornece ao módulo gerenciador
as informações que ele precisa
para os ajustes de mistura.
Atuador
de marcha lenta
Este dispositivo
é responsável por manter o
regime de marcha lenta sempre nos mesmo
valor, independente do combustível
e demais condições que possam
alterar a rotação, como temperatura
do motor, por exemplo.
Filtro
de ar
O
filtro de ar precisa estar perfeitamente
limpo a fim de garantir a estabilidade principalmente
da primeira regulagem do equipamento.
Taxa
de compressão – através da
utilização de equipamento específico
para avaliação da taxa de compressão
que deve atender a um patamar mínimo sob
pena de impedimento da conversão ou a necessidade
de retífica prévia no motor.
Condições
visuais da lataria, suspensão, e sistemas
internos (ar condicionado, rádio, etc).
Cheque
de luzes.
Certos itens, como
a medição da taxa de compressão
somente podem ser feitos mediante a utilização
de instrumentação adequada.
Depois de feita a instalação, a oficina
deve obrigatoriamente abastecer o sistema com pressão
normal de trabalho, isto deve ser feito pela própria
oficina e não pelo cliente, pois somente
a oficina tem condições de fazer a
avaliação inicial de vazamentos e
o ajuste prévio do equipamento. Além
disso, apesar de ser possível sintonizar
o sistema com o chamado "pulmão"
somente um abastecimento real feito pela oficina
irá reproduzir as condições
de uso normal do veículo sem submeter o cliente
ao risco de vazamentos.
Após o abastecimento, a oficina deve utilizar
o sistema de diagnóstico eletrônico
computadorizado para fazer os ajustes dos níveis
de mistura e finalmente fazer os ajustes finos em
campo, dirigindo o veículo na rua com o sistema
de verificação do nível de
mistura conectado ao veículo.
Somente assim
é possível conseguir uma situação
real de uso e consequentemente um sistema realmente
afinado e que não vá prejudicar o
motor a longo prazo.
Somente então o carro é entregue ao
cliente, devidamente abastecido e regulado.
Cabe ao cliente conferir na presença do mecânico-técnico
cada um dos itens que devem constar no orçamento
descritivo inicial que a convertedora forneceu ao
cliente. Algumas empresas vendem um equipamento
e instalam outro, isto não é raro.
Veículos mais novos que 1996 devem obrigatoriamente
ser equipados com kits
gerenciados com C.A.G.N. Aqueles mais antigos
que 1997 podem receber um kit gerenciado caso o
proprietário assim deseje, bastando que se
certifique de que o veículo é equipado
com sonda lambda (que pode até eventualmente
ser instalada no carro).
A oficina deve fornecer toda a orientação
com relação à rotina de uso
do veículo convertido, como precauções
quanto à gasolina no tanque, comutação
do gás para gasolina ou etanol, orientação
específica para carros flex, orientação
quanto ao comportamento do equipamento diante de
colisões e incêndios e finalmente um
manual de procedimento completo e toda a orientação
quanto ao procedimento legal (documentação).
Procure se certificar
de tudo isto para evitar ser lesado.
Caso o cliente perceba que algo não está
de acordo, deve entrar em contato imediatamente
com a administração da convertedora
e se não conseguir resultados, deve reportar-se
ao PROCOM que tomará as medidas cabíveis.
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